quarta-feira, 5 de outubro de 2011

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Ainda não perdi o jeitinho no Corel xD

terça-feira, 12 de abril de 2011

Escape!

As guillotines the shutters fell
forging a spell, cast against the day.
Where a new stage emerged. Relatively not, well, rare.
but certainly indifferent to those affairs of right or wrong,
or fair or unfair.

The smoke softly levitates through spirals
deviating in disorder when reaching a curtain of white.
What a sight. Those cyclic, yet distorted, finals.
Lying in the floor, I remained staring without haste,
that white ceiling, yet morbidly in feast.

Right after, I sip two more quaffles of wine
and voluntarily I let my senses get drunk.
Welcome Prank. Where fairies and beasts embrace, amidst smoke arcs.
In a glance, I even smiled, while in the dark mist.
After all, there's more to sip in the night of the escapist.

sábado, 5 de março de 2011

Esboço "I wish I've not been yours"

I know well those saids
happy ends and charming aids

they tell you how to be
but at your back they sell you for free.

Sudden you see how rotten the world are
you realize how meaningless words are

and in need you ll seek an old lie
I did it when I had to say you a silent "goodbye"

Poor you, now that you are awake
and sick for having blindly trusted your sake.

but now its too late to paint together this grey world
I really wanted a more multicolour sight
but you just let me be in pale blue as the sorrow night
while you were building your own tomorrow

where I could not take a place, nor a chance
and so I had more grief to borrow
after your brief wanting me, for such a life dance

I know that you are an hypocrite
but so am I in a lot of shit

Im no saint, I admit
Im just a prayer in faint

as I wish to have born in a safer place
instead of amongst this greedy bastards
I wish that those crapie craps come true
but I just recognize middle age retards

and old bats and ego youths
where love just has one face and self
I wish to be an human,
not such an elf in the middle of inhumans

I really wish i could have born in a distant go go
instead of this foe present similar to the very far ago
if you've at least been able to discard all the selfishness
if you only had given me the right card to get this started.

sábado, 15 de janeiro de 2011

All About Nursery

"To bed, to bed," says Sleepy-Head;
"Let's stay awhile there," says Slow;
But one was greedy and the other was flow,
And in Rouge Versailles they did their show.

"Bad, bad" people innerly said
but "chaste" and "humble" they loudly yelled
cause no one can fuck up with the 13th head
Unless they fuck in his royal bed.

domingo, 28 de novembro de 2010

Quote by C.C.

The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people.
And so long as men die, liberty will never perish
.

Charlie Chaplin

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Massacre de Ganímedes - Primeiros Anexos.

Branca e Leonor (1976)

Leonor preparou a mesa do costume, dispondo cuidadosamente as chávenas para o chá e alguns dos seus amigos preferidos. Ao seu lado colocou Rupert, o seu companheiro mais fiel - um ursinho que Branca lhe fizera. Leonor ainda hoje se recorda do quão importante aquele momento foi e aquele rejúbilo de satisfação transformou-se num carinho incondicional para com o animal fofinho, levando-o para todo o lado.

Leonor ficava neste ritual tantas e tantas vezes, aguardando pacientemente pela mãe que chegava invariavelmente tarde a casa. Todavia, era hábito Branca levar Leonor consigo às compras. Passeios que Leonor adorava e aproveitava para deslumbrar a sua visão e o seu estômago, com as guloseimas que incessantemente pedia à mãe. Branca quase sempre acabava por responder à vontade da filha, dado o infeliz costume de Leonor em se tornar bastante irritante em público, levando Branca muitas vezes a perder a cabeça e a bater-lhe, chorando Leonor ainda mais, perante olhares prontamente condenatórios. Branca sentia-se embaraçada.
No entanto logo se arrependia e satisfazia o pedido de Leonor, reconciliando-se com a mãe e tornando ao halo de inocência e de felicidade que sempre parecia reluzir em si.

Leonor parecia alhear-se da vida dupla da mãe, aceitando o quão dedicada ela era ao trabalho. Mas, intimamente sabia bem o quanto a mãe era infeliz e várias vezes a apanhou a chorar sozinha. Tentava animá-la como podia e em parte era bem sucedida.

Duas semanas antes da partida para a mansão do avô, a relação de ambas sofreu um pequeno rombo. Branca tornou a chegar cada vez mais tarde a casa, até que anunciou à filha que necessitava de ir um fim-de-semana inteiro em trabalho, instruindo-a para que não saísse de casa e que se comportasse. Todos os víveres necessários não haviam sido descurados, como de costume.
Na noite anterior à partida da mãe, Leonor ouviu-a ao telefone, reconheceu o tom e postura da mãe, mas manteve-se no seu ar terno de uma meiguice por vezes tão invulgarmente incessante.

E ali se encontrou, sozinha em casa, com o seu amigo Rupert, comunicando entusiasmada, expressando os seus sonhos e deixando a sua imaginação flutuar, diante de uma mesa de menina, devota de costumes retirados ao mundo dos adultos.

"A mamã anda tão distante Rupert... eu sei que ela se preocupa e que vai trabalhar todos os dias por causa de mim, mas às vezes só queria estar mais um pouco com ela. Só tenho a mamã e só te tenho a ti, Rupert. Foste o melhor presente da mamã, não teria qualquer amigo se não fosses tu. Adoro-te Rupert!"

"Nunca te deixarei sozinha Leo, vou estar sempre junto a ti. Sabes o que te animaria? Um doce!"

"Ohhh! Quero, quero! Mas não posso sair Rupert, a mamã disse que não podiamos!"

"Se formos depressa e tivermos cuidado não há que ter medo!"

E assim saíram de casa, Leonor e o seu urso de peluche, caminhando até à loja que de quando em quando visitavam e comprou um monte de guloseimas que a estimularam e nesse estado a mantiveram durante todo o regresso a casa.
Contudo, Leonor deparou-se com a perda das chaves de casa, o que derrubou todo o espírito anterior, levando-a a procurar as chaves pela rua onde caminhara, cada vez mais enervada.
Sem sucesso.
Quando se afastou um pouco mais e se sentiu perdida e sem saber o que fazer, cedeu na rua, chorando e berrando a plenos pulmões.
Leonor terminou nessa noite na esquadra de polícia, triste e amedrontada, aguardando pelas melhores notícias do agente que ligou para o trabalho da mãe.

Branca não estava em trabalho.

"De férias com um homem", algo que Leonor não pôde deixar de compreender pelas tentativas malogradas do homem em contactar a sua mãe.

Este esforço, acabou por dar os seus frutos. Branca estava de volta quatro horas depois.
Pegou em Leonor, sentindo-se vexada uma vez mais. Mas tal agravou-se quando confrontada pelos vizinhos com quem discutiu acidamente.
Já em casa, ainda com uma vizinha a bater à porta, preocupada com o que estava a decorrer no interior, Branca perdeu a cabeça com Leonor e bateu-lhe. No aceso de raiva, rasgou Rupert, até o dividir em 2, vertendo as suas entranhas esponjosas, sem retrocesso, arremessando-o em direcção ao chão, onde o pisou furiosamente.
Leonor ouviu os gemidos e a dor de Rupert ecoando pela sala.

O choque transfigurou Leonor.
"Devolve-me a minha mamã, monstro!"

"Estou farta, sua anormal, por que não podes agir como as outras crianças normais? Não passas de uma deficiente sem amigos que só me sabe envergonhar!"

"Devolve-me a minha mamã, que não me abandona, que não me deixa sozinha, que não me bate!"

"Sua egoísta, mato-me a trabalhar para te dar conforto! E quem fica sozinha sou eu, ninguém me quer e a culpa é toda tua! Nunca devias ter nascido!"

"Não, não, não! Odeio-te! Nem o papá te quis, és horrível, devolve-me a minha mamã!"

"Ninguém me quer porque ninguém quer uma mulher solteira com filhos! És a razão da minha infelicidade, desaparece da minha frente, nunca devias ter nascido!"

"Odeio-te, mataste o Rupert, assassina, QUERO-TE VER MORTA!".


Julieta, David e Nuno (1974)


Desde pequenina que Julieta corre e deambula entre cada recanto da mansão dos Ganímedes. Como se tratasse de um pássaro enjaulado conhecendo cada recanto da sua prisão.
Sempre deteve um espírito ávido e uma mentalidade aventureira. O avô, embora geralmente frio, chegou a associar Julieta a essa sua qualidade, com algum orgulho inerente.
Cedo a curiosidade em explorar a propriedade do avô ganhou outras proporções e aos poucos foi-se aventurando.
A floresta acabou por se tornar um lugar que marcava ano após ano as suas férias, sobretudo a partir dos seus 12 anos. Era uma de muitas coisas, que tinha a agradecer a David. Juntos escapuliam-se com alguma frequência e sempre que possível. Ao início Julieta era como a pequena princesa de David, a sua protegida, mas três anos decorridos e David dava por si impaciente, aguardando pela chegada anual de Julieta e dos restantes familiares. E Julieta sentia-se da mesma maneira.
Era a melhor altura do ano para ambos.

5 Anos e poucos meses separavam-nos, mas tal diferença etária esbateu e desmoronou por completo a partir dos 16 anos de Julieta. Era agora uma bela mulher, delicada, inteligente, serena e ao mesmo tempo com aquele brilho de impaciência pelo conhecimento e pela aventura que tocavam em David e o cativavam. Mesmo sendo reduzido o contacto com outras mulheres próximas da sua idade, (excepto as escassas vezes que acompanhava Elias à aldeia piscatória mais próxima), David considerava-a como a mais bela mulher à face da terra.

Nas mesmas circunstâncias se encontrava Nuno, sempre mais introvertido e debatendo-se incessantemente entre a sua condição de serviçal e de mera mobília e entre a chama que Julieta lhe despertava. Durante muito tempo a odiou e durante outro tanto tempo a amou.
Não era fácil a vida que levava. Tal como David, tomavam Mafalda e Elias praticamente como figuras parentais. Pouco conheciam do mundo lá fora e igual afecto haviam recolhido. Para Afonso não passavam de bonecos articulados, existindo para o servir e para pagar a sua caridade - dera-lhes um tecto para viver, uma alternativa segura à condição de orfãos. No fundo, aquisição de trabalho remunerado com géneros de subsistência.

1974, marcou um ano um tanto ou quanto diferente, numa das suas vagas exploratórias e possíveis investidas pela floresta que lhes começava a ser tão familiar, David e Julieta acabaram por se deparar com uma descoberta que atiçou em Julieta um misto de incredibilidade e ao mesmo tempo de extrema curiosidade.
No meio de uma reclusão de arvoredo, uma segunda mansão emergia numa clareira. As reacções no entanto divergiram, David bem mais preocupado forçou a uma retirada. Julieta projectou uma nova investida àquela área, no entanto, foi surpreendida por uns pais em alguma agitação.

Nuno denunciara-os.

Julieta e David passaram a sofrer um controlo mais acentuado, as incursões à floresta deixaram de ser possíveis e com isso uma nova aventura até à mansão sitiada pelo bosque.
Todas as restantes férias de 1974 foram passadas em frustração e o aperto em 1975 manteve-se.
A relação de Nuno com David acabou também ela por se deteriorar substancialmente, mas não aquilo que ambos nutriam por Julieta.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Virginia Woolf - The Death of the Moth, and other essays

Three Pictures ** Written in June 1929.

The First Picture
It is impossible that one should not see pictures; because if my father was a blacksmith and yours was a peer of the realm, we must needs be pictures to each other. We cannot possibly break out of the frame of the picture by speaking natural words. You see me leaning against the door of the smithy with a horseshoe in my hand and you think as you go by: “How picturesque!” I, seeing you sitting so much at your ease in the car, almost as if you were going to bow to the populace, think what a picture of old luxurious aristocratical England! We are both quite wrong in our judgments no doubt, but that is inevitable.

So now at the turn of the road I saw one of these pictures. It might have been called “The Sailor’s Homecoming” or some such title. A fine young sailor carrying a bundle; a girl with her hand on his arm; neighbours gathering round; a cottage garden ablaze with flowers; as one passed one read at the bottom of that picture that the sailor was back from China, and there was a fine spread waiting for him in the parlour; and he had a present for his young wife in his bundle; and she was soon going to bear him their first child. Everything was right and good and as it should be, one felt about that picture.

There was something wholesome and satisfactory in the sight of such happiness; life seemed sweeter and more enviable than before.

So thinking I passed them, filling in the picture as fully, as completely as I could, noticing the colour of her dress, of his eyes, seeing the sandy cat slinking round the cottage door.

For some time the picture floated in my eyes, making most things appear much brighter, warmer, and simpler than usual; and making some things appear foolish; and some things wrong and some things right, and more full of meaning than before. At odd moments during that day and the next the picture returned to one’s mind, and one thought with envy, but with kindness, of the happy sailor and his wife; one wondered what they were doing, what they were saying now. The imagination supplied other pictures springing from that first one, a picture of the sailor cutting firewood, drawing water; and they talked about China; and the girl set his present on the chimney–piece where everyone who came could see it; and she sewed at her baby clothes, and all the doors and windows were open into the garden so that the birds were flittering and the bees humming, and Rogers—that was his name—could not say how much to his liking all this was after the China seas. As he smoked his pipe, with his foot in the garden.

The Second Picture
In the middle of the night a loud cry rang through the village. Then there was a sound of something scuffling; and then dead silence. All that could be seen out of the window was the branch of lilac tree hanging motionless and ponderous across the road. It was a hot still night. There was no moon. The cry made everything seem ominous. Who had cried? Why had she cried? It was a woman’s voice, made by some extremity of feeling almost sexless, almost expressionless. It was as if human nature had cried out against some iniquity, some inexpressible horror. There was dead silence. The stars shone perfectly steadily. The fields lay still. The trees were motionless. Yet all seemed guilty, convicted, ominous. One felt that something ought to be done. Some light ought to appear tossing, moving agitatedly. Someone ought to come running down the road. There should be lights in the cottage windows. And then perhaps another cry, but less sexless, less wordless, comforted, appeased. But no light came. No feet were heard. There was no second cry. The first had been swallowed up, and there was dead silence.

One lay in the dark listening intently. It had been merely a voice. There was nothing to connect it with. No picture of any sort came to interpret it, to make it intelligible to the mind. But as the dark arose at last all one saw was an obscure human form, almost without shape, raising a gigantic arm in vain against some overwhelming iniquity.

The Third Picture
The fine weather remained unbroken. Had it not been for that single cry in the night one would have felt that the earth had put into harbour; that life had ceased to drive before the wind; that it had reached some quiet cove and there lay anchored, hardly moving, on the quiet waters. But the sound persisted. Wherever one went, it might be for a long walk up into the hills, something seemed to turn uneasily beneath the surface, making the peace, the stability all round one seem a little unreal. There were the sheep clustered on the side of the hill; the valley broke in long tapering waves like the fall of smooth waters. One came on solitary farmhouses. The puppy rolled in the yard. The butterflies gambolled over the gorse. All was as quiet, as safe could be. Yet, one kept thinking, a cry had rent it; all this beauty had been an accomplice that night; had consented; to remain calm, to be still beautiful; at any moment it might be sundered again. This goodness, this safety were only on the surface.

And then to cheer oneself out of this apprehensive mood one turned to the picture of the sailor’s homecoming. One saw it all over again producing various little details—the blue colour of her dress, the shadow that fell from the yellow flowering tree—that one had not used before. So they had stood at the cottage door, he with his bundle on his back, she just lightly touching his sleeve with her hand. And a sandy cat had slunk round the door. Thus gradually going over the picture in every detail, one persuaded oneself by degrees that it was far more likely that this calm and content and good will lay beneath the surface than anything treacherous, sinister. The sheep grazing, the waves of the valley, the farmhouse, the puppy, the dancing butterflies were in fact like that all through. And so one turned back home, with one’s mind fixed on the sailor and his wife, making up picture after picture of them so that one picture after another of happiness and satisfaction might be laid over that unrest, that hideous cry, until it was crushed and silenced by their pressure out of existence.

Here at last was the village, and the churchyard through which one must pass; and the usual thought came, as one entered it, of the peacefulness of the place, with its shady yews, its rubbed tombstones, its nameless graves. Death is cheerful here, one felt. Indeed, look at that picture! A man was digging a grave, and children were picnicking at the side of it while he worked. As the shovels of yellow earth were thrown up, the children were sprawling about eating bread and jam and drinking milk out of large mugs. The gravedigger’s wife, a fat fair woman, had propped herself against a tombstone and spread her apron on the grass by the open grave to serve as a tea–table. Some lumps of clay had fallen among the tea things. Who was going to be buried, I asked. Had old Mr. Dodson died at last? “Oh! no. It’s for young Rogers, the sailor,” the woman answered, staring at me. “He died two nights ago, of some foreign fever. Didn’t you hear his wife?” She rushed into the road and cried out. . . . “Here, Tommy, you’re all covered with earth!”

What a picture it made!